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DESIGUALDADE I – Crônicas da Paisagem (35)

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As máquinas não pensam, só fazem. Supostamente, pensam os homens. Mas ao seu comando, as máquinas desfiguram paisagens, devoram a terra, consomem recursos, geram inquietação, na mesma medida em que curiosamente geram mais confortos. Mas que desconfortáveis confortos esses, que criam tensão. Estes confortos extremos, sem referência de limites, são raízes da desigualdade.

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Este é um desabafo, um desagravo, uma tentativa de explicar o desconforto diante de cidades que crescem sem medida. Em lugares como estes nossos, em que a cada dia uma paisagem aparece de cara nova, existe latente uma desconfiança, uma certa impossibilidade de se sentir parte de algum lugar. Como afinal sentir-se parte de algo que modifica tão velozmente? Sem memórias mais? Que já nem está mais ali?

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Os horizontes são uma necessidade. O direito ao vazio é uma necessidade. Se não, onde fazer a reflexão, onde contemplar? O que afinal, contemplar? Paredes? Par que não seja isso o que nos reste, escrevo, desenho, falo e sonho.

Imagens: desenhos feitos a partir de pontos-de-vista em Torres/RS (Jorge Herrmann – 2014)

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